Não era de facto um cenário para todos os estômagos. Não sabemos o que impressionou mais, se o animal a grunhir tentando resistir a seis adultos a agarrá-lo para ir (literalmente) à faca, se a tentativa de o chamuscarem com ele ainda vivo (mau serviço do magarefe!), se depois a 'alourarem-no' e a retirarem-lhe as entranhas... O que é certo é que foi uma tarde de festa e por aquelas bandas ninguém estranhou a Matança da Seba.
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Pouco passava das 16H quando o animal, que permanecia stressado dentro da carrinha, foi solto para amansar. Depois de conhecer os cantos ao campo e de brincar na terra sujando as fuças, começou o terror: seis adultos (que tornaram-se depressa uns 10, dado o peso da porca - cerca de 200kg!) tentaram dominar o animal, que grunhiu aflito. Sem dar-se por isso, o experiente magarefe, Francisco Marques, surtiu um golpe fundo na garganta, até ao coração, enquanto o animal ia jorrando sangue para dentro de uma bacia. E o som aflito foi diminuindo, como se o bicho estivesse a adormecer...
E adormeceu. Foi acordado pela primeira chamuscadela do maçarico para lhe queimar os pêlos. "Mau serviço o do magarefe", diziam alguns populares. Foi preciso recorrer à descarga eléctrica para dar o 'choque' de misericórida, e a vida abandonou de vez o bicho.
Depois de chamuscardo e raspado o pê-lo, a porca "foi à praia", como diziam por graça alguns populares. Desta vez recorreu-se ao método tradicional e com palha corou-se a pele da bicha. "Assim a carne fica mais saborosa e a pele mais resistente", explicava Manuel Barros, presidente da Proviver, a empresa municipal dinamizadora desta atividade, enquanto integrante na programação municipal Na Rota das Colheitas.
O método ainda foi demorado. Meia dúzia de pessoas faziam o que sabiam fazer melhor e a assistência, composta por residentes na freguesia da Lage e por curiosos que deslocaram-se porpositadamente para fotografar ou filmar a Matança da Seba. Aos poucos a noite ía caindo, e dentro do armazém ia-se servindo petiscos e bom vinho. Ao ritual assistiu ainda o presidente da Junta da Lage, o enfermeiro Carlos Pedro, o homem que restituiu uma prática a uma das freguesias com tradição na mesma.
Quando o dia dava lugar à noite, lavou-se o animal e rasgou-se o bicho, para lhe retirarem as entranhas e prepará-lo para acabar de secar numa arca frigorífica. "Amanhã vai ser desmantelado e de tarde servido na rojoada coletiva", explicaram-nos.
A toda a prática assistiu ainda uma veterinária que comporvou a prática dentro das normas de higiene, assim como atestou a saúde da seba, através da análise das visceras.
E após a matança a festa lá continuou, com muita pinga, bons petiscos, concertinas e cantares ao desafio, pela noite fora...
E após a matança a festa lá continuou, com muita pinga, bons petiscos, concertinas e cantares ao desafio, pela noite fora...
FP



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