Atenção - se tem um estômago forte e não é impressionável e ainda é um fã da autenticidade rural: este fim de semana, na freguesia da Lage, é recriada uma prática antiga e que até há poucas décadas atrás ainda acontecia na zona 'urbana' do concelho - a Matança do Porco!
Aliás, a Matança da 'Seba' ou da 'Fêvera', como é useiro denominar-se quando o animal sacrificado é do género feminino, como será o caso.
A Junta de Freguesia da Lage resolveu realizar, no âmbito da programação municipal Na Rota das Colheitas, que pretende promover a ruralidade como atração turística do concelho, uma atividade que é das mais marcantes nesta época de colheitas e que por norma marca a entrada na estação mais agreste do ano.
"Do porco tudo se aproveita; nada é deitado fora", já diziam os antigos. O porco era criado e alimentado para mais tarde alimentar uma família inteira durante o ano. Eram consideradas famílias minimamente abastadas as que criavam um ou mais porcos. Como animal substancial, quando morto tudo nele era aproveitado e comido ao longo do ano, em especial na estação exigente do Inverno, em que o consumo calórico também seria maior, para aguentar o frio e as agruras da vida na lavoura.
Onde é que a Matança do Porco ainda vai sendo comum? Na Região de Trás-os-Montes. É comum fazer-se desta prática uma atração turística e criar-se roteiros de fins de semana tendo como atrativo principal a Matança do Porco, o convívio nas Casas de Turismo Rural, a recriação da atmosfera rústica e o 'fumo' das grandes lareiras domésticas, dos cobertores e mantas a tapar as pernas enquanto se ouvem histórias e modas de outros tempos.
O que vai acontecer no sábado, no Lugar da Goja (haverá placas a indicar o local na freguesia da Lage) é a recriação dessa prática antiga, que atraía não só os da casa, como os habitantes de toda a aldeia, que acabavam por ajudar no sacrifício do animal, cujo o golpe na garganta e sangramento para uma vasilha até ficar 'seco' exigia sangue frio e perícia, não ao alcance de todos os estômagos!
Depois dava-se o chamuscamento do animal com pruma de pinheiro que deixava no ar, arrastado por quilómetros, um cheiro forte a pêlo queimado. É um dos sinais de marca, aliado aos grunhidos aflitos do animal, que ficam na memória de quem viveu estes tempos.
Mas há quem sinta um fascínio por esta prática, quase sempre acompanhada de festa e grande animação. No sábado não será excepção: depois da matança da seba haverá 'garraiada' com concertinas e cantares ao desafio, acompanhados de petiscos e sopas de cavalo cansado, outra iguaria antiga, para os mais saudosos matarem saudades.
Mas a festa não se fica por aqui e no domingo, à hora do almoço, está prometida uma Rojoada colectiva, no Monte de Sta Helena, acompanhada por bailarico proporcionado por Maria Celeste e sua banda, culminando a tarde com um mega Magusto típico.
12 novembro, no Lugar da Goja
16H Matança da Seba
18H Concertinas e Cantares ao Desafio
Petiscos e Provas de Sopas de cavalo Cansado
13 novembro, no Monte de Sta Helena
12H Rojoada
15H Maria Celeste e sua Banda
16H30 Magusto Típico
Você sabia que...
.. existe uma Real Confraria da Matança do Porco e tem sede em Miranda do Corvo, em Trás-os Montes? Com pouco mais de dois anos, esta Confraria afirma-se como "espaço de cultura e gastronomia" e, por outro, quer mostrar que "esta tradição enraizada no mundo rural português ainda tem fortes razões para continuar a existir".
FP
FP




0 comentários:
Enviar um comentário